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Coma Bem E Passe Longe Das Doenças

"Emanuel" (2018-04-10)

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Pessoalmente, Patrícia Ayres é uma figura agoniada, falante, muito engraçada. Exatamente o oposto do personagem que a celebrizou pela Televisão, na sua curta carreira de atriz mirim. Pela novela "A Pequena Órfã" (Teixeira Filho, 1968), Patrícia levava milhões de telespectadores a chorar copiosamente no horário nobre. Fazia o papel de Toquinho, uma indigente garotinha que fora abandonada pelos pais e acabou nas mãos da malvada Elza (Riva Nimitz), uma mulher que explorava meninas e as obrigava a pedir esmola pela estrada. A todo o momento que podia, Toquinho fugia para a casa do caridoso Velho Gui (Dionisio de Azevedo), que tentava protegê-la, em irão. A moça acabava sendo descoberta por Elza, que lhe aplicava surras homéricas. Foi ao ar pela extinta Tv Excelsior e, 3 anos depois, repetida pela Globo.


Eu passava a novela inteira apanhando, ou fugindo da Elza. O mundo inteiro chorava, inclusive eu", conta ela, rindo muito. Aquilo tudo era horrível. Na época, quase não havia atrizes mirins, eu fui a primeira com aquele destaque, deste modo ficava ainda mais exposta. Não podia sair na estrada em razão de vinha uma multidão atrás de mim; recebia ameaça de sequestro e, pela universidade, tinha de permanecer na sala da diretora durante o recreio", lembra Patrícia, hoje com 55 anos. A novela era um fenômeno de audiência. No auge do sucesso, um jornal publicou na capa que os 2 maiores salários do nação eram o de Pelé e o de Patrícia.


A Riva Nimitz ficou com tanta raiva que se descontrolou em uma cena e me empurrou de verdade, com muita agressão. Eu bati com a boca em um móvel e quebrei os 2 dentes da frente", lembra. Tiveram de parar tudo, imagina, eu chorava muito! Naquele tempo, as moças eram moças mesmo. Na ocasião, ela tinha 5 anos. Em 1968, antes de estrelar "A Pequena Órfã", ela fez a personagem Miita em "O Justo dos Filhos" (Teixeira Filho). A dada altura, quando saiu de São Paulo para atravessar um desfecho de semana na moradia de uma tia, surgiu no jornal a notícia de que ela havia sido raptada.


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Quando chegava carta pouco mais pesada em casa, minha mãe abria no quintal, com temor do que pudesse estar lá dentro", conta. Nos bastidores, tudo era "assustador". Eu tinha temor da mão daquele ator… Castro…(ela só consegue se recordar dos personagens: no caso, era Castro Gonzaga). Era gigantesco. O Sérgio Cardoso me colocava no colo e tirava o olho de vidro dele pra fazer graça, eu ficava assustada! Percy Ayres tinha muito orgulho da filha. Minha mãe era nordestina, e meu pai, alemão; eu era a única loira das 5 filhas. Ele me levava com o objetivo de nanico e para cima como se fosse um troféu." Isso só tornava as coisas mais difíceis.


Patrícia não tinha espaço pra relatar que não queria mais fazer novela. Pra não manifestar que não sobrou de fato nada que valesse à pena comentar, ela lembra com muito afeto de tua amizade com a atriz Leila Diniz, que encabeçava o elenco de "O Certo dos Filhos". O espírito libertário de Leila encantou a garota, que se sentia literalmente sufocada naquele local. Eu tinha crises de asma de dirigir-se parar no hospital. A Leila me protegia, me ensinou a ser independente, dizia para eu nunca deixar que ninguém gritasse comigo.


Ficamos muito amigas. Ela ordenou fazer uma passagem do meu estúdio até o dela, para eu escapar com finalidade de lá caso estivesse em apuros. Se eu me sentia muito exausta, ela me levava pra consumir "barquinha" (pão na chapa)." No momento em que Leila morreu, em 1972, em um desastre de avião, tiveram que dar a notícia "aos poucos" para Patrícia. Muito próxima de sua irmã Bárbara, um ano mais nova, Patrícia impunha como circunstância para deslocar-se pro estúdio que ela bem como fosse. Um outro espaço interessante que eu amo e cita-se a respeito do mesmo tema por este website é o web site Clique Sobre esta página. Pode ser que você goste de ler mais a respeito nele.


Eu era muito obrigada a estar nos bastidores o tempo todo", lembra Barbara. Nunca me esqueço de uma cena com a Cacilda Becker, ela era uma professora de balé, e eu quietinha assistindo. A Cacilda Becker neste momento me pegou e rodopiou. Pra conceder uma grandeza do prestígio de Patrícia, o "reclame" da novela trazia uma imagem dela, e não dos astros que encabeçavam o elenco — Maurício do Valle, Renée de Vielmond e Castro Gonzaga.


Eu apresentava um quadro no programa do Silvio Santos com o Guto, filho do Moacyr Franco, que era um pesadelo. Eu vomitava e fazia cocô pela calça. E quando eu tive de dançar com o Nélson Ned? Ao todo, foram sete novelas e um video (a versão cinematográfica de "A Pequena Órfã"). O "basta"de Patrícia foi aos 11 anos, quando ela bateu o pé e citou que neste momento era bastante. Segundo dona Nair, a mãe dela, "a início, aquilo parecia uma brincadeira, as cenas eram fácil, porém com o tempo foi ficando pesado para ela". Virou uma responsabilidade, uma tarefa. E tinha a universidade, assim como, onde a vigilância era enorme visto que eles tinham horror do convívio. As outras crianças tiravam sarro.


Falavam que um dia ela era órfã, no outro miliardária. Dona Nair conta que a filha estava ainda mais assustada. Ela chorava fazendo os personagens e assim como pelo motivo de não queria fazê-los. Ao mesmo tempo, na rua, as pessoas queriam tocar nos lugares onde a Patrícia passava. Um dia, ela citou: ‘Pai, eu não almejo mais’. O espectro da Tv ainda perseguiu Patrícia Ayres por quase dez anos. Eu já tinha tipo vinte anos, no momento em que o Dennis Carvalho (diretor da Globo) me chamou para fazer um papel em ‘Voltei para Você’ (1983, Benedito Ruy Barbosa).


Pituca grande. Meu pai ainda tinha esperança que eu topasse, entretanto eu dizia: ‘Pai, eu não vou continuar dando bicota em um galã que eu nem sequer conheço, Deus me livre’. Eu gostava de bagunça, de consumir com as amigas, de pegar meus surfistas! Patrícia marcou a conversa com o web site numa "padaria artesanal" em Perdizes, zona oeste de São Paulo. Ela conta que há até 4 anos tinha 28 quilos a mais, era sedentária, e não saía de casa sem a bombinha pra asma.



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